quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A capoeira é uma expressão cultural afro-brasileira que mistura luta, dança, cultura popular e música. Desenvolvida no Brasil por escravos africanos e seus descendentes, é caracterizada por golpes e movimentos ágeis e complexos, utilizando os pés, as mãos, a cabeça, os joelhos, cotovelos, elementos de acrobacia e golpes desferidos com bastões e facões, estes últimos provenientes do maculelê. Uma característica que a distingue da maioria das outras artes marciais é o fato de ser acompanhada por música.

A palavra capoeira é originária do tupi e refere-se às áreas de mata rasteira do interior do Brasil. Foi sugerido que a capoeira tenha obtido o nome a partir dos locais que cercavam as grandes propriedades rurais de base escravocrata e onde seria praticada pelos escrav

Durante o século XVI, Portugal enviou escravos para o Brasil provenientes da África Ocidental. O Brasil foi o maior receptor da migração de escravos, com 42% de todos os escravos enviados através do Oceano Atlântico. Os seguintes povos foram os que mais frequentemente foram vendidos no Brasil: grupo sudanês, composto principalmente pelos povos Iorubá e Daomé, o grupo guineo-sudanês dos povos Malesi e Hausa e o grupo banto (incluindo os kongos, os Kimbundos e os Kasanjes) de Angola, Congo e Moçambique.

Os negros trouxeram, consigo para o América|Novo Mundo, as suas tradições culturais e religião. A homogeneização dos povos africanos e seus descendentes no Brasil sob a opressão da escravatura foi o catalisador da capoeira. A capoeira foi desenvolvida pelos escravos do Brasil, como forma de elevar o seu moral, transmitir a sua cultura e, principalmente, como forma de resistir aos seus escravizadores. Geralmente, era praticada nas capoeiras e, à noite, nas senzalas, onde os escravos ficavam acorrentados pelos braços, o que explica o fato de a maioria dos golpes ser desferida com os pés. Foi também muito praticada nos quilombos, onde os escravos fugitivos tinham liberdade para expressar sua cultura. Há relatos de historiadores de que Zumbi dos Palmares e seus quilombolas comandados só conseguiram defender o Quilombo dos Palmares dos ataques das tropas coloniais porque eram exímios capoeiristas, mesmo possuindo material bélico muito aquém dos utilizados pelas tropas coloniais e geralmente combatendo em menor número. Resistiram a pelo menos vinte e quatro ataques de grupos com até três mil integrantes comandados por capitães-do-mato e foram necessários dezoito grandes ataques de tropas militares ao Quilombo dos Palmares para derrotar os quilombolas. Soldados de Portugal relataram ser necessário mais de um dragão (militar) para capturar um quilombola, porque se defendia com estranha técnica de ginga, pernas, cabeça e braços. Muitos comandantes de tropa portugueses e até um governador-geral consideraram ser mais difícil derrotar os quilombolas do que os holandeses. Há registros da prática da capoeira nos séculos XVIII e XIX nas cidades de Salvador, Rio de Janeiro e Recife. Porém, durante anos, a capoeira foi considerada subversiva, sendo sua prática proibida e duramente reprimida. Devido a essa repressão, a capoeira praticamente se extinguiu no Rio de Janeiro, onde os grupos de capoeiristas eram conhecidos como maltas e em Recife, onde, segundo alguns, a capoeira deu origem à dança do frevo, conhecida como o passo.


Jogar Capoeira ou Danse de la guerre de Johann Moritz Rugendas, 1835.


Em 1932, Mestre Bimba fundou a primeira academia de capoeira do Brasil em Salvador. Mestre Bimba acrescentou movimentos de outras artes marciais e desenvolveu um treinamento sistemático para a capoeira, criando um estilo que passou a ser conhecido como Regional. Em contraponto, Mestre Pastinha pregava a tradição da capoeira com um jogo matreiro, de disfarce e ludibriação, num estilo que passou a ser conhecido como Angola. Da dedicação desses dois grandes mestres, a capoeira deixou de ser marginalizada e se espalhou da Bahia para todos os estados brasileiros.

No vídeo de B. M. Farias "Relíquias da Capoeira - Depoimento do Mestre Bimba", o próprio Manuel dos Reis Machado, criador da capoeira Regional, comenta sobre os motivos que o fizeram se mudar para Goiânia. Depois, em uma reunião de especialistas em capoeira no Rio de Janeiro, entendidos explicam mais sobre o nome do esporte, sobre a criação da capoeira de Angola e falam mais sobre esse lendário personagem chamado Mestre Bimba. A palavra capoeira quer dizer:Capo:mato Eira:cortado[1]

A capoeira já foi motivo de grande controvérsia entre os estudiosos de sua história, sobretudo no que se refere ao período compreendido entre o seu surgimento – supostamente no século XVII, quando ocorreram os primeiros movimentos escravos de fuga e rebeldia – e o século XIX, quando aparecem os primeiros registros confiáveis, com descrições detalhadas sobre sua prática.[carece de fontes?]

[editar] Capoeiristas históricos

  • Besouro Mangangá capoeirista baiano do século XIX, imortalizado nas músicas da capoeira
  • Manduca da Praia temido capoeirista no Rio de Janeiro do século XIX
  • Madame Satã polêmico capoeirista do Rio de Janeiro da primeira metade do século XIX, sua vida foi retratada em filme
  • Mestre Waldemar foi alvo de vários estudos acadêmicos durante os anos 1950, inventor das ladainhas
  • Mestre Adenina lutou pela libertação dos escravos

[editar] Capoeira Angola

[editar] Capoeira regional

  • Mestre Bimba (Manuel dos Reis Machado) criador da capoeira regional
  • Mestre Eziquiel aluno de Bimba, divulgou a capoeira pelo mundo e foi um de seus maiores cantadores e compositores
  • Mestre Capixaba Fundador da A.C.A.P.O.E.I.R.A.. Considerado por Mestre João Grande uns dos maiores mestres vivos. Difundiu e difunde a capoeira nos cinco continentes.

[editar] Outros

  • Mestre Peixinho Mestre do Rio de Janeiro, Marcelo Azevedo Guimarães é um dos grandes mestres da capoeira contemporânea, fundador do Centro Cultural Senzala de Capoeira com sede no Leme. Mestre Peixinho também é muito lembrado por seus jogos de capoeira demonstrando sempre muita destreza e técnica, tendo, em um de seus jogos mais memoráveis, aplicado o movimento de "desaparecer no ar".
  • Mestre Mão Branca Mestre mineiro que propaga a capoeira para mais de 22 países por meio de seu grupo Capoeira Gerais
  • Mestre Camisa divulgador da capoeira no exterior, principalmente na Alemanha e na França.
  • Camafeu de Oxossi foi um mestre de capoeira e figura de destaque no Candomblé baiano
  • Mestre Celso Carvalho Nascimento sendo lhe atribuído um estilo único é o mais antigo capoeirista do Rio de Janeiro em atividade
  • Mestre Burguês fundador da Federação Paranaense de Capoeira em 1985 teve 19 CDs de capoeira editados
  • Mestre Suassuna Fundador do CDO e um dos pioneiros da Capoeira em São Paulo. Gravou um dos primeiros discos de capoeira.
  • Mestre Suíno Fundador do Grupo Candeias,E o principal contribuinte da Capoeira em Goiás.Autor de cinco livros da historia da Capoeira.
  • Mestre Tiziu Fundador da Associação Capoeira Anjos Cordel Vermelho Italia, divulgador da capoeira na Europa,Fundador e atual Presidente da Federação Italiana Capoeira F.I.CAP [1]
  • Mestre Sombra Roberto Teles de Oliveira, sergipano, há mais de 30 anos radicado em Santos, pioneiro da capoeira na Baixada Santista. Fundador da Associação de Capoeira Senzala de Santos, possui vários alunos formados - entre eles, o mestre Valtinho, o mestre Sombrinha, o mestre Paulo, o mestre Parada e o mestre Bahia -, todos atuantes, ora em sua própria associação, ora à frente de associações filiadas, tanto no Brasil (em quase toda a Baixada Santista, também em Apucarana - PR, Goiânia - GO e Tijucas - SC), quanto no exterior (França e Inglaterra).

Roda de capoeira regional

A roda de capoeira é um círculo de pessoas em que é jogada a capoeira.

Os capoeiristas se perfilam na roda de capoeira batendo palma no ritmo do berimbau e cantando a música enquanto dois capoeiristas jogam capoeira. O jogo entre dois capoeiristas pode terminar ao comando do capoeirista no berimbau ou quando algum capoeirista da roda entra entre os dois e inicia um novo jogo com um deles.

Em geral, a capoeira não busca destruir o oponente, porém contusões devido a combates mais agressivos não são raras. Entretanto, de maneira geral o capoeirista prefere mostrar sua superioridade "marcando" o golpe no oponente sem no entanto completá-lo. Se o seu oponente não pode evitar um ataque lento, não existe razão para utilizar um golpe mais rápido.

A ginga é o movimento básico da capoeira, é um movimento de pernas no ritmo do toque que lembra uma dança, porém capoeiristas experientes raramente ficam gingando pois estão constantemente atacando, defendendo e "floreando" (movimentos acrobáticos). Além da ginga são muito comuns os chutes em rotação, rasteiras, golpes com as mãos, cabeçadas, esquivas, saltos, mortais, giros apoiados nas mãos e na cabeça, movimentos acrobáticos e de grande elasticidade e movimentos próximos ao solo.









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